Wednesday, Feb 08th

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A coisa mais Bela

Um dia, um grande e conceituado pintor, sentado no seu atelier, ao olhar para as muitas obras que tinha feito, pensou em fazer uma obra que fosse de facto, a mais bonita de todas, tanto no encanto como no conteúdo. Saiba o que ele pintou.

As suas mãos já haviam pintado tudo o que os seus olhos tinham contemplado, mas ele queria algo diferente, algo que atravessasse o tempo sem envelhecer, que não se corrompesse e que não se extinguisse da mente das pessoas, algo que fizesse maravilhas quando todos o contemplassem.

Ele queria «A Pintura mais bela!» Mas continuamente se questionava sobre o que seria a coisa mais bela que os seus olhos poderiam contemplar. Não conseguindo encontrar respostas seu atelier, saiu à rua para a descobrir. Procurou pessoas, pediu opiniões e verificou diversas situações. 

Ao caminhar pela rua observou discretamente uma jovem sentada num banco de jardim, ansiosa, mas feliz, assim como quem espera alguém de quem se gosta muito. O pintor aproximou-se um pouco mais da jovem e perguntou-lhe: «Jovem Senhora, desculpe a intromissão, mas para si qual é a coisa mais bela do mundo?» A rapariga com os olhos cintilantes, fixados nele e com um sorriso resplandecente, respondeu: «O Amor, sim, sem dúvida o amor que sinto pelo meu amado... sim isso é a coisa mais bela do mundo! » O pintor anotou a afirmação da jovem no seu pequeno bloco azul e continuou a sua longa caminhada.

A dado momento encontrou um homem religioso, e sem perder tempo logo se aproximou e disse-lhe: «Vejo que é uma pessoa religiosa, crente em Deus, diga-me então, o que é para si a coisa mais bela?» O religioso olhou para o famoso pintor e passados alguns instantes de silêncio respondeu-lhe: «Para mim a coisa mais bela do mundo é a fé, a fé que nos faz amar a Deus, sem que alguma vez o tivéssemos visto! Para mim a coisa mais bela do mundo é realmente a fé em Deus!»  

Após anotar a segunda opinião registada naquela tarde, o pintor regressa a casa e parou no caminho para observar um homem idoso que com melancolia olhava para um grupo de crianças irrequietas que brincavam no jardim. O pintor aproximou-se do velho homem e sentou-se a seu lado. Era já final da tarde, o sol descia rapidamente e uma brisa fresca passeava sobre a face enrugada e cansada do velho. Ao sentir oportunidade perguntou ao velho: «Senhor, posso ver que já tem muita idade, por certo já viveu muitas situações diferentes é um homem com muita experiência, diga-me sinceramente, o que é para si a coisa mais bela do mundo?»

O homem respondeu-lhe: «Meu amigo, já sou velho e estou cansado, mas feliz por estar vivo. Estive muitos anos na guerra e vi a morte diante dos meus olhos, corpos de amigos meus jazendo sem vida ao meu lado, sem que eu nada pudesse fazer, vi a dor de muitas famílias que perderam os seus entes queridos. Deitava-me na minha cama e acordava no meio de tiroteios e gritos que atormentavam a minha cabeça, sofri e vi sofrer o horror que a guerra proporciona na vida das pessoas. por tudo isto que passei e olhando agora para aquelas crianças, inocentes, alegres e livres para brincar, digo-lhe sem dúvida que a coisa mais bela que existe é a paz!» 

O pintor sorriu e anotou o que o velho homem havia dito, depois de agradecer a resposta sincera do homem despediu-se dele calorosamente com um abraço. Anotou e pode concluir: «A coisa mais bela é o amor, a fé e a paz, mas como posso eu transmitir tais sentimentos na tela? Que forma tem o amor, a fé ou a paz? Como poderei pintar a coisa mais bela?» O pintor não se sentia satisfeito, pois sabia o que era a coisa mais bela mas não sabia que forma material lhe dar, para assim  pintá-la na tela. De maneira a ser contemplada por todos. Continuou o seu caminho para casa.

Ao chegar a casa, cansado e pensativo, o pintor tocou à campainha, sentia-se demasiado cansado para abrir a porta. A porta abriu-se de repente, e uma senhora elegante e gentil o o recebeu, era a sua amada esposa. E nesse momento o pintor viu o amor, o amos que sentia pela sua esposa. Os seus filhos logo vieram correndo para os seus braços, agradecendo os doces, que carinhosamente o pai lhes oferecera. O pintor ao ver a atitude dos seus filhos, viu neles a fé, a fé que tem no pai, no seu cuidado, protecção e sustento. O amor e a fé o pintor os tinha descoberto na esposa e nos filhos.

Chegou a hora do jantar e toda a família estava reunida à volta da mesa, comendo uma saborosa refeição, numa paz indescritível. De repente, na mente do pintor fez-se luz! «Já sei como hei-de pintar a coisa mais bela do mundo! Até aqui eu tinha os conceitos, mas agora eu vejo a forma. Sem dúvida que a família é a coisa mais bela! Na minha esposa descobri o amor, nos meus filhos a fé e a paz, essa está no meu lar.»

Nesse mesmo instante o pintor entrou no seu atelier e pintou uma tela lindíssima a óleo, onde figurava uma família, a sua família e deu-lhe como titulo: A Coisa Mais Bela Do Mundo!